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Archive for the ‘comunismo’ Category

E viva os 90 anos do PCdoB!

In amigos, comunismo, gatices, gatos, política, presentes, vida de bicho on 13/03/2012 at 14:53

(Presente do meu camarada Ricardo Tristão)




“Fundado em 25 de março de 1922, o Partido Comunista do Brasil completa 90 anos em 2012. É uma longa existência de luta pelos direitos dos trabalhadores e do povo brasileiro, pela independência nacional, a democracia e o socialismo. Um partido internacionalista e solidário com as lutas libertadoras dos povos de todo o mundo. Carregue esta bandeira, filie-se ao PCdoB, lute com ele por um Brasil melhor, livre do imperialismo, da opressão e exploração. Lute por um Brasil socialista!”


A luta pela paz é uma decisiva e urgente tarefa

In arte, Candido Portinari, coisas do Brasil, coisas do mundo, comunismo, homenagens, vídeos on 28/07/2011 at 09:00
Entre 1952 e 1956, Candido Portinari realizou seus dois últimos e maiores murais: Guerra e Paz com 14m de altura por 10m de largura, aproximadamente, encomendados pelo governo brasileiro para presentear a sede da ONU, em Nova York.

Localizados em local nobre, de acesso restrito aos delegados das Nações, no hall de entrada da Assembleia Geral, os monumentais painéis não podem ser vistos pelo público por razões de segurança, nem mesmo durante as visitas guiadas da ONU.

Por esse motivo, o Projeto Portinari sempre sonhou em expor Guerra e Paz ao grande público.

O planejamento de uma grande reforma no edifício sede da ONU entre 2010 e 2013 proporcionou a oportunidade inédita de expor os painéis Guerra e Paz no Brasil e no exterior.

A pedido do Governo Brasileiro, a ONU entregou a guarda de Guerra e Paz ao Projeto Portinari até agosto de 2013.

Veja a Agenda

“Guerra e Paz representam sem dúvida o melhor trabalho que já fiz. Dedico-os à humanidade”.

Guerra (1952-1956)

Um pequeno close do Mural Guerra

Um pequeno close do Mural Guerra

Um pequeno close do Mural Guerra
O Painel completo foi pintado a óleo em madeira compensada, 1400 x 953 cm.
Na representação da Guerra, como tivesse relativa liberdade de criação, Portinari optou pelo tema intemporal dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Pareceu-lhe uma solução melhor do que pintar a guerra com um caráter realista, figurando os combates do século XX com o arsenal das armas contemporâneas. Tudo foi posto de lado, em favor de uma visão simbólica, diferente do que se vê nos murais dos pintores mexicanos, ou mesmo no Massacre da Coréia, de Picasso. A guerra seria representada através do sofrimento do povo e não de soldados em combate. Os próprios cavalos não têm as cores do texto bíblico, no qual o primeiro é branco, o segundo vermelho (cor de fogo), o terceiro preto e o quarto amarelo ou baio. Esta diferença foi imposta pelas necessidades tonais da pintura, na qual os azuis dominam e até parecem cantar, sustentados pelos tons quentes dos laranjas.
Paz (1952-1956)

pequeno close do Mural Paz

Pequeno close do Mural Paz

Pequeno close do Mural Paz
O Painel completo foi pintado a óleo sobre madeira compensada, 1400 x 953 cm.

Todos os figurantes da Paz são os meninos de Brodósqui, sua terra natal, cinco vezes nas gangorras, como aparecem em várias de suas telas, outras vezes em cambalhotas e piruetas, pulando carniça, ou armando arapuca, moças que dançam e cantam, um coral de meninos de todas as raças, assim como nós, brasileiros, noiva da roça na garupa do cavalo branco, o palhaço, a mulher carregando o cordeiro, os dois cabritos que dançam bem no centro do painel, como se fossem o núcleo da Paz, a égua e o potro, e na faixa de cima, bem lá de cima, camponeses plantando, camponeses colhendo, o espantalho, os batedores de arroz, homens, mulheres e meninos que cantam. Não há dúvida. Só pode ser Eumênides, que as Fúrias já se transfiguraram. Não há dúvida. Só podem ser as Eumênides, entre as moças e os meninos de Brodósqui.

Contrariando as recomendações médicas, proibido de pintar por sintomas de intoxicação pelas tintas, motivo pelo qual veio a falecer em 62, Portinari aceitou o convite. No auditório dos estúdios da TV Tupi, durante 4 anos, trabalhou com afinco na confecção de 180 estudos, esboços e maquetes para os murais.

Encomenda entregue. Mas ninguém havia visto ainda os painéis em sua plenitude, nem mesmo o próprio artista. Foi então que começou um movimento de opinião pública, e um grupo de artistas e intelectuais apelou ao Itamaraty para que os painéis fossem expostos no Brasil antes do embarque para os EUA, para que fosse dada uma chance ao público brasileiro de vê-los, pela primeira e derradeira vez.

Assim, Guerra e Paz foram montados lado a lado ao fundo do palco do Theatro Municipal. Muito bem iluminados, e com o teatro praticamente às escuras, ficaram impressionantes. Em fevereiro de 1956, os painéis foram solenemente inaugurados pelo Presidente da República Juscelino Kubitschek.

Devido ao envolvimento de Portinari com o Partido Comunista, Portinari não foi convidado a comparecer à cerimônia. E lá foi dito em 56: “.. o Brasil está oferecendo hoje às Nações Unidas o que acredita ser o melhor que tem para dar”.


Tantos anos se passaram desta iniciativa e de lá para cá, a Guerra ainda é meio de dominação de nações ricas e poderosas que se distanciam da ONU. Até quando? A luta pela paz é atual e permanece para todos os povos que defendem sua soberania.

Fonte:
http://www.portinari.org.br/
http://www.guerraepaz.org.br/#/home

Sugestão de leitura:
Mocidade Independente de Padre Miguel terá o enredo para o Carnaval 2012, as obras de Portinari.
Acompanhe o Projeto no twitter: http://twitter.com/#!/projportinari
Biografia de Portinari
Artigo relacionado aos murais:
Video no youtube
Carta de Princípios do Cebrapaz

Candido Portinari: dá orgulho de ser brasileiro

In arte, Candido Portinari, coisas do Brasil, comunismo, cultura, São Paulo on 26/07/2011 at 09:00
Queria contar a história do significativo Mural  Guerra e Paz de Candido Portinari, que está no Brasil até 2013. Daí comecei uma pesquisa que me levou a outra, e outra, e mais outra, e há tanta coisa a se falar sobre a vida e a obra dele que não teve fim a minha busca. Só sei que, conhecendo-o um tiquinho mais, senti orgulho de ser brasileira. E também em ser comunista. Fiz esse apanhado que precedeu Guerra e Paz mas que servirá de curriculo do autor aqui no Blog e espero que você aproveite, como eu aproveitei. Mas veja bem, aguarde que falarei em breve sobre seu Mural Guerra e Paz, importante contribuição do Brasil à ONU em 1956. E se quiser ampliar conhecimentos, há um Projeto Portinari  que merece nossa atenção.

Candido Portinari, pintor (1903-1962)

“Vim da terra vermelha e do cafezal.
As almas penadas, os brejos e as matas virgens
Acompanham-me como o espantalho,
Que é o meu auto-retrato.
Todas as coisas frágeis e pobres
Se parecem comigo.”

Auto-Retrato (1957)
Óleo s/ madeira, 55 x 46 cm
Col. Particular, Brasil

Linha do Tempo

1903: Nasce em Brodowski, São Paulo, Brasil.

Filho de imigrantes italianos Portinari nem sequer chegou a completar o ensino primário. Mas seu dom artístico já aflorava na infância.

1912: Colabora na pintura da Igreja de Brodósqui.

1914 – Cria sua primeira gravura, um retrato do compositor Carlos Gomes, em carvão, copiando a imagem de uma carteira de cigarros;

1918: Vai para o Rio de Janeiro para estudar pintura.

1921: É admitido no curso de pintura da Escola de Belas Artes.

1922: Expõe o 1º quadro.

1923 – Pinta “Baile na Roça”, sua primeira tela de temática nacional. O quadro é recusado pelo salão oficial da Escola de Belas Artes, por fugir dos padrões acadêmicos da época;

1929 – Como prêmio do Salão Nacional de Belas Artes, que obteve com um retrato do amigo (poeta) Olegário Mariano, ganha uma bolsa de estudos em Paris. Ali, descobre Chagall, os muralistas mexicanos e sofre fortes influências do trabalho de Picasso;

1930: Casa com Maria Martinelli na França e em 31 volta ao Brasil.

1935: O óleo “Café” obtém a Segunda menção honrosa, em Nova Iorque.

1936: Pinta os primeiros murais. É nomeado professor de pintura.

1937: Inicia os murais do Ministério de Educação.

1938: O Museu de Arte Moderna de Nova Iorque compra o quadro “Morro”.

1939: Nasce seu filho, João Cândido.

1940: Expõe nos Estados Unidos.

1944: A convite do arquiteto Oscar Niemeyer, inicia as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, destacando-se o mural “Sâo Francisco” e a “Via Sacra”, na Igreja da Pampulha.

1945: Conclui os murais do Ministério da Educação. Candidata-se a deputado federal pelo PCB Partido Comunista do Brasil. Portinari perde seu grande amigo Mário de Andrade. Faz uma “Via Sacra” para a capela da Pampulha. Filia-se ao Partido Comunista vendo na organização, mesmo clandestina, a chance de lutar contra a ditadura, a favor da anistia e de eleições. Nomes de grande prestígio junto à sociedade reúnem-se nesse partido. Candidato a deputado federal por São Paulo, Portinari perde as eleições. O PCB consegue eleger um senador (Luiz Carlos Prestes) e 14 deputados.

1946: Expõe em Paris.

1947: Candidata-se a senador. Expõe em Buenos Aires e Montevideo. PCB entra na ilegalidade.

1948: Portinari exila-se no Uruguai, por motivos políticos, onde pinta o painel “A Primeira Missa no Brasil”, encomendado pelo banco Boavista do Brasil.

1949: Executa o grande painel “Tiradentes”, narrando episódios do julgamento e execução do herói brasileiro que lutou contra o domínio colonial português. Por este trabalho Portinari recebeu, em 1950, a medalha de ouro concedida pelo Juri do Prêmio Internacional da Paz, reunido em Varsóvia.

1950: Visita a Itália. Participa na Bienal de Veneza.

1952: O Governo Brasileiro convida-o para realizar os murais Guerra e Paz para a sede da ONU.

1954: Sofre uma hemorragia, motivada pela intoxicação das tintas.

1955: Faz ilustrações para a obra “A Selva” do escritor Ferreira de Castro.

1956: Viaja a Israel e Itália.

1960: Nasceu sua neta Denise, que passou a ocupar boa parte de seu tempo. Pintou muitos quadros com o retrato dela. Quando não estava com Denise, Portinari passava horas fitando o mar, sozinho. No ano seguinte escreveu um ensaio de oração para a neta.

1962: Morre, vitima do envenenamento das tintas. Enquanto pinta os painéis Guerra e Paz, Portinari adoece gravemente. O diagnóstico não é nada agradável. A doença não é mais do que o envenenamento que as tintas lhe provocam. Deve parar de pintar. Coisa impossível para quem a pintura é a vida. Aliás, ela tem sido a sua grande preocupação, agora que a arte parece estar a tomar outro caminho que não agrada a Portinari, como o tem dito nas entrevistas que dá:

“A pintura, que era antes o maior veículo de propaganda de ideias, hoje precisa de uma propaganda enorme para viver. Antes ela servia a religião e o estado, hoje não serve ninguém. Outros meios mais directos e efectivos a substituíram, tais como o cinema, a televisão, o rádio, o jornal… Resistirá a pintura como meio de expressão e como profissão?”
Casa onde viveu Portinari, em Brodowski.
Hoje “Museu Casa de Portinari”
Em frente ao Museu Casa de Portinari localiza-se a praça Candido Portinari,
onde se encontra a Igreja Santo Antônio, para a qual Portinari
fez uma pintura a óleo sobre tela
do santo padroeiro, em cumprimento a uma promessa
para restabelecimento da saúde de seu filho João Candido.
Santo Antônio é uma rara pintura sobre tela do artista (1942)
e estava sofrendo com cupins e infiltrações

A obra de Santo Antonio é restaurada em 2003

Fotobiografia
Imagens de Portinari

+ Portinari

Escritores comemoram seu dia

In coisas do Brasil, comunismo, cultura, homenagens, Jorge Amado, vídeos on 25/07/2011 at 15:55
“O mundo só vai prestar
Para nele se viver
No dia em que a gente ver
Um gato maltês casar
Com uma alegre andorinha
Saindo os dois a voar
O noivo e sua noivinha
Dom Gato e Dona Andorinha”.

Jorge Amado

Comemora-se nesta segunda-feira (25) o Dia Nacional do Escritor. A data foi criada nos anos 60 pela União Brasileira de Escritores, que tinha como uma das lideranças Jorge Amado, um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. Mais um comunista. Nada mais justo do que comemorar esse dia falando de Jorge Leal Amado de Faria (Itabuna, 10 de agosto de 1912-Salvador, 6 de agosto de 2001).

Encontrei um Stop motion muito simpático sobre a vida de Jorge Amado. A produção foi feita para um trabalho escolar.

http://www.youtube-nocookie.com/v/6Pu50tF55nU?version=3&hl=pt_BR&rel=0

Rosa Luxemburg: Uma carta da prisão a Sonia Liebknecht

In cartas, coisas do mundo, comunismo, mulher, política, Rosa Luxemburg on 22/05/2011 at 22:30

Breslau, Polônia, antes de 24 de dezembro de 1917.


“Ah! Sonitchka, passei aqui por uma dor violenta. No pátio onde passeio chegam muitas vezes carroças do exército, abarrotadas de sacos ou túnicas velhas e camisas de soldados, muitas vezes manchadas de sangue…; são descarregadas, distribuídas pelas celas, consertadas, novamente postas nas carroças para serem entregues ao exército. 


Outro dia, chegou uma dessas carroças, puxada não por cavalos, mas por búfalos. Era a primeira vez que via esses animais de perto. São mais fortes e maiores que os nossos bois, têm a cabeça chata, chifres curvos e baixos, e uma cabeça totalmente negra, de grandes olhos meigos, que lembra a dos nossos carneiros. Vêm da Romênia, são um troféu de guerra… os soldados que conduziam a carroça diziam ser muito difícil capturar esses animais selvagens, e ainda mais difícil utilizá-los para carregar fardos, pois estavam acostumados à liberdade. 


Foram terrivelmente maltratados até compreenderem que perderam a guerra e que também para eles vale a expressão “vae victis” [ai dos vencidos]… Só em Breslau deve haver uma centena desses animais; acostumados que estavam às ricas pastagens da Romênia recebem ali uma ração parca, miserável. Trabalham sem descanso puxando todo tipo de carga e com isso não demoram a morrer. 


Há alguns dias então uma dessas carroças cheia de sacos entrou no pátio. A carga era tão alta que os búfalos não conseguiam transpor a soleira do portão. O soldado que os acompanhava, um tipo brutal, pôs-se a bater-lhes de tal maneira com o grosso cabo do chicote que a vigia da prisão, indignada, perguntou-lhe se não tinha pena dos animais. “Ninguém tem pena de nós, homens”, respondeu com um sorriso mau e pôs-se a bater ainda com mais força… Os animais deram finalmente um puxão e conseguiram transpor o obstáculo, mas um deles sangrava… 


Sonitchka, a pele do búfalo é proverbialmente espessa e resistente, e ela foi dilacerada. Durante o descarregamento, os animais permaneciam imóveis, esgotados, e um deles, o que sangrava, olhava em frente e tinha, na cara escura e nos olhos negros e meigos, uma expressão de uma criança em prantos. Era exatamente a expressão de uma criança que foi severamente punida e que não sabe por qual motivo, por que, não sabe como escapar ao sofrimento e a essa força brutal… 


eu estava diante dele, o animal me olhava, as lágrimas saltaram-me dos olhos – eram as suas lágrimas. Ninguém pode sofrer mais por um irmão querido do que eu sofri na minha impotência com essa dor silenciosa. Como estavam longe, perdidas, inacessíveis, as pastagens da Romênia, essas pastagens verdes suculentas e livres! Como tudo lá era diferente, o brilho do Sol, o sopro do vento, como eram diferentes os belos cantos dos pássaros ou o melodioso chamado do pastor. 


E aqui – esta cidade estrangeira, horrível, o estábulo sombrio, o feno mofado, repugnante, misturado com a palha apodrecida, os homens desconhecidos, assustadores, e – as pancadas, o sangue que corre da ferida aberta… Oh! meu pobre búfalo, meu pobre irmão querido, aqui estamos os dois tão impotentes e mudos, mas somos só um na dor, na impotência, na saudade. 


Entretanto os prisioneiros agitavam-se em volta do carro, descarregavam os pesados sacos e arrastavam-nos para dentro; já o soldado enfiara as mãos nos bolsos das calças e percorrendo o pátio com grandes passos, ria e assobiava baixinho uma canção da moda. 


Diante de mim a guerra desfilava em todo o seu esplendor.
Escreva logo.
Abraços, Sonitchka,
Sua R


Sonitchka, querida, fique calma e alegre apesar de tudo. Assim é a vida. É preciso tomá-la corajosamente, sem medo, sorrindo – apesar de tudo. Feliz Natal!”

Rosa de Luxemburg ou o preço da liberdade
Jörn Schütrumpf (org.)
Editora Expressão Popular – 1ª edição
São Paulo – 2006 
Tradução: Isabel Maria Loureiro


Rosa Luxemburg, em polaco Róża Luksemburg – nasceu em Zamość, 5 de março de 1871 e morreu em Berlim, 15 de janeiro de 1919, com 48 anos, assassinada pelo exército alemão. Foi uma filósofa marxista e militante revolucionária polaca-alemã que ajudou a fundar o Partido Comunista da Alemanha (KPD). Dentre as barbaridades cometidas pelo homem, está o assassinato de Rosa Luxemburg.


>Volto no tempo para 1976

In comunismo, Crônicas de Ada, direitos, política on 21/03/2011 at 14:00

>

Um desenho de Cordel. Pena que aquele desenho do Ianelli tenha se perdido no tempo
Volto no tempo para 12 de outubro de 1976. O padre João Bosco Penido Burnier fora assassinado em Goiânia (GO), baleado por um policial, na tarde anterior em Ribeirão Cascalheira (MT) quando, junto com Dom Pedro Casaldáliga, intercedia em favor de duas mulheres presas que eram torturadas. O assassino foi um soldado que lhe deu um soco, uma coronhada e um tiro de bala dundum na cabeça. 

O Padre se dedicava à Missão de Diamantino (MT), servindo junto aos índios beiços-de-pau e bacairis, quando participava da coordenação regional do Conselho Indigenista Missionário. Era o auge dolorido da ditadura militar. Os padres jogavam à época, um papel importantíssimo na luta pelos direitos do povo, na defesa dos que eram perseguidos pela ditadura exatamente por lutarem com o povo, e consequentemente eram mortos e tombavam como abnegados defensores da liberdade.

Na madrugada dos dias que se seguiram ao assassinato do Padre Burnier, um pequeno grupo de estudantes universitários saía pelo campus da USP, num protesto silencioso à esta execução, pregando cartazes feitos em silk screen.

O desenho usado nesta serigrafia era muito bonito, estilo cordel, com o padre desfalecido de braços abertos. Uma expressão de dor e seu nome estampado denunciavam a truculência dos militares. O desenho era do artista Rubens Ianelli. Pena, se perdeu no tempo, resta-me apenas uma vaga lembrança deste desenho. Éramos então, jovens estudantes de arquitetura da faculdade de Guarulhos, apaixonados, engajados, iniciantes na luta política e no movimento estudantil que jogou papel contundente neste período.

E tanta coisa dá para puxar da memória sobre os tempos desta juventude nos anos de chumbo… O que ficou deste tempo, além de súbitas e extemporâneas lembranças, foi a opção de lutar pela liberdade e pelo socialismo e que permanece e permeia minha vida até os dias de hoje. 


Nota: 

Com 33 anos de atraso, o Governo Federal admitiu, no início de dezembro de 2009, através do trabalho da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, que o assassinato do Padre Burnier, foi provocado pelo regime militar. O reconhecimento oficial da culpa do Estado na morte, repara um erro histórico e abre caminho para a indenização dos familiares de Burnier. 
Veja detalhes da morte do padre no trecho extraido do documento escrito pela CNBB – Conferência Nacional de Bispos do Brasil – em outubro de 1976: 

Última carta de Olga Benário Prestes

In cartas, comunismo, feminismo, filmes, homenagens, mulher, musica, Olga Prestes, política on 03/03/2008 at 15:22
Última carta de Olga Benário, escrita às vesperas de sua execução na câmara de gás, na Alemanha de Hitler, para Anita e Carlos Prestes.


(ouça o Tema de Olga)
tocado no filme “Olga” de Jayme Monjardim


“Queridos: Amanhã vou precisar de toda a minha força e de toda a minha vontade. Por isso, não posso pensar nas coisas que me torturam o coração, que são mais caras que a minha própria vida. E por isso me despeço de vocês agora. 


É totalmente impossível para mim imaginar, filha querida, que não voltarei a ver-te, que nunca mais voltarei a estreitar-te em meus braços ansiosos. Quisera poder pentear-te, fazer-te as tranças – ah, não, elas foram cortadas. Mas te fica melhor o cabelo solto, um pouco desalinhado. Antes de tudo, vou fazer-te forte. Deves andar de sandálias ou descalça, correr ao ar livre comigo. Sua avó, em princípio, não estará muito de acordo com isso, mas logo nos entenderemos muito bem. Deves respeitá-la e querê-la por toda a tua vida, como o teu pai e eu fazemos. Todas as manhãs faremos ginástica… Vês? Já volto a sonhar, como tantas noites, e esqueço que esta é a minha despedida. E agora, quando penso nisto de novo, a idéia de que nunca mais poderei estreitar teu corpinho cálido é para mim como a morte. 


Carlos, querido, amado meu: terei que renunciar para sempre a tudo de bom que me destes? Conformar-me-ia, mesmo se não pudesse ter-te muito próximo, que teus olhos mais uma vez me olhassem. E queria ver teu sorriso. Quero-os a ambos, tanto, tanto. E estou tão agradecida à vida, por ela haver me dado a ambos. 


Mas o que eu gostaria era de poder viver um dia feliz, os três juntos, como milhares de vezes imaginei. Será possível que nunca verei o quanto orgulhoso e feliz te sentes por nossa filha? Querida Anita, Meu querido marido, meu garoto: choro debaixo das mantas para que ninguém me ouça pois parece que hoje as forças não conseguem alcançar-me para suportar algo tão terrível. 


É precisamente por isso que me esforço para despedir-me de vocês agora, para não ter que fazê-lo nas últimas e difíceis horas. Depois desta noite, quero viver para este futuro tão breve que me resta. De ti aprendi, querido, o quanto significa a força de vontade, especialmente se emana de fontes como as nossas. Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão porque se envergonhar de mim. 


Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue. Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas… Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. 


Beijos pela última vez. Olga”


(Ouça a personagem de Olga lendo a carta no filme, é Camila Morgado)