(Cris Cervo)
Feliz foi Adão,
Que não teve sogra, nem caminhão,
Não precisou abrir crediário,
Para comprar à prestação.
O teto do seu paraíso,
Era a imensidão do céu,
Jamais usou camisinha,
Nem gravata, nem chapéu.
E apesar de ter doado
Um pedaço de costela,
Jamais adoeceu de dengue,
E sequer febre amarela.
Adão não conheceu maçarico,
Furadeira, chave de fenda,
Não enfrentou fila na receita,
Para declarar imposto de renda
Nunca se submeteu a um DNA
Para contestar paternidade,
Jamais recolheu o IPVA
Nem foi multado por
excesso de velocidade.
Adão não precisou pagar dízimo,
Ou dar gorjeta aos anjos,
Não conheceu salário mínimo,
Nem praticava suborno
Adão nunca quis trair
E jamais mereceu ser corno
Carteira profissional,
Não assistia na TV
Ao horário eleitoral.
Adão não cursou escola pública,
Não conheceu a corrupção,
Nunca quis ser candidato,
Nem puxa-saco de patrão.
E ouso dizer ainda mais
Adão fez o que ninguém faz,
Peladão em pleno paraíso,
Manteve-se firme no juízo,
Acordando ao lado de Eva toda manhã,
Ao sentir fome, optou por “comer” a maçã…
N.A: Texto publicado na coletânea “Poesias Brasileiras-Volume II”-Premio Ebrahim Ramadan de Poesias, publicado pela Editora Riopretense no ano de 2003.


