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Archive for the ‘direitos’ Category

Realejo: uma gaiola senzala

In defesa animal, direitos, passarinho, proteção animal, vida de bicho on 01/01/2012 at 17:42
Último dia do ano vi um realejo. Mas nada de musiquinha tocada a manivela, apenas uma gaiola minúscula e um pobre e triste periquito dentro. Questionei o homem que o explora financeiramente e cruelmente o escraviza. Disse a ele que era crueldade, pedi que trocasse sua água, se ele não tinha compaixão, que ele devia deixá-lo livre e entre seus gestos de esbravejos, me senti impotente por nada poder fazer. Não é de se estranhar sua ignorância. 


Acrescente a essa foto romântica, muito ruído, poluição, fumaça de óleo diesel dos ônibus, muita gente em véspera de ano novo, um sol escaldante… ai meu deus, quando vamos aprender a humildade e o respeito à natureza? Quando vamos deixar de ser “colecionador”, e tornar tudo privado? 

A foto (blog do Ronaldo) é bonita, ele que me perdoe o comentário decepcionado.

1 de janeiro de 2012 18:27

Realejo em 1920 na Praça da Afãndega
Foto  ronaldofotografia

>Volto no tempo para 1976

In comunismo, Crônicas de Ada, direitos, política on 21/03/2011 at 14:00

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Um desenho de Cordel. Pena que aquele desenho do Ianelli tenha se perdido no tempo
Volto no tempo para 12 de outubro de 1976. O padre João Bosco Penido Burnier fora assassinado em Goiânia (GO), baleado por um policial, na tarde anterior em Ribeirão Cascalheira (MT) quando, junto com Dom Pedro Casaldáliga, intercedia em favor de duas mulheres presas que eram torturadas. O assassino foi um soldado que lhe deu um soco, uma coronhada e um tiro de bala dundum na cabeça. 

O Padre se dedicava à Missão de Diamantino (MT), servindo junto aos índios beiços-de-pau e bacairis, quando participava da coordenação regional do Conselho Indigenista Missionário. Era o auge dolorido da ditadura militar. Os padres jogavam à época, um papel importantíssimo na luta pelos direitos do povo, na defesa dos que eram perseguidos pela ditadura exatamente por lutarem com o povo, e consequentemente eram mortos e tombavam como abnegados defensores da liberdade.

Na madrugada dos dias que se seguiram ao assassinato do Padre Burnier, um pequeno grupo de estudantes universitários saía pelo campus da USP, num protesto silencioso à esta execução, pregando cartazes feitos em silk screen.

O desenho usado nesta serigrafia era muito bonito, estilo cordel, com o padre desfalecido de braços abertos. Uma expressão de dor e seu nome estampado denunciavam a truculência dos militares. O desenho era do artista Rubens Ianelli. Pena, se perdeu no tempo, resta-me apenas uma vaga lembrança deste desenho. Éramos então, jovens estudantes de arquitetura da faculdade de Guarulhos, apaixonados, engajados, iniciantes na luta política e no movimento estudantil que jogou papel contundente neste período.

E tanta coisa dá para puxar da memória sobre os tempos desta juventude nos anos de chumbo… O que ficou deste tempo, além de súbitas e extemporâneas lembranças, foi a opção de lutar pela liberdade e pelo socialismo e que permanece e permeia minha vida até os dias de hoje. 


Nota: 

Com 33 anos de atraso, o Governo Federal admitiu, no início de dezembro de 2009, através do trabalho da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, que o assassinato do Padre Burnier, foi provocado pelo regime militar. O reconhecimento oficial da culpa do Estado na morte, repara um erro histórico e abre caminho para a indenização dos familiares de Burnier. 
Veja detalhes da morte do padre no trecho extraido do documento escrito pela CNBB – Conferência Nacional de Bispos do Brasil – em outubro de 1976: 

>A música “Bola Dividida” admite a violência contra a mulher

In Crônicas de Ada, direitos, feminismo, liberdade, mulher, opinião, preconceito on 15/02/2011 at 18:43

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Todos os dias vemos no noticiário as mortes anunciadas. São mulheres que sofrem violência de seus companheiros e, apesar de algumas terem coragem de denunciar, ficam sem qualquer proteção ou assistência dos órgãos responsáveis. Não aceitam uma “insubmissão”.

Acabam sendo mortas sem direito à defesa. E a causa é quase sempre a mesma: crime passional.


Isso vem de tão longe! A sociedade assimila que certas coisas são “normais”. Acatam o comportamento imposto pela dominação masculina. Você já ouviu a frase: “se ela apanhou, é porque fez alguma coisa”? Ou,” Dê uma surra diária na sua mulher, você não sabe porque está batendo mas ela sabe porque está apanhando” e ”Toda mulher gosta de apanhar. Só as neuróticas reagem (Nelson Rodrigues (1912/1980) considerado um grande dramaturgo. Daria para listar uma série de frases, inclusive repetidas pelas próprias mulheres.

A minha mais recente indignação, é com o Zeca Baleiro. Ele regravou um samba de 1969 chamado “Bola Dividida” e que é composição de Luiz Ayrão no LP “Meus Momentos”. Ouço no rádio todos os dias e me inflo de indignação!

Bom, há 42 anos, a letra da composição passou batida entre as mulheres? Tá bem, mas hoje acho que não deve passar batido não! Não temos muitos mecanismos de protesto e defesa de nossos direitos de liberdade e indignação contra a violência à mulher. Mas eu aqui, estou registrando a minha:

Zeca Baleiro! Você pisou na bola, junto com Luiz Ayrão, e perpetua, através dos tempos, que a violência contra a mulher é admissível!

Tire você mesma a conclusão!

Bola Dividida
Composição Luiz Ayrão (1969)
Regravada por Zeca Baleiro (2010)

“Será que essa gente percebeu que essa morena desse amigo meu
Tá me dando bola tão descontraída
Só que eu não vou em bola dividida
Pois se eu ganho a moça eu tenho o meu castigo
Se ela faz com ele vai fazer comigo
Se eu ganho a moça eu tenho o meu castigo
Se ela faz com ele vai fazer comigo 
E vai fazer comigo exatamente igual
Ela é uma morena sensacional
Digna de um crime passional
E eu não quero ser manchete de jornal
Será que essa gente percebeu que essa morena desse amigo meu
Tá me dando bola tão descontraída
Só que eu não quero que essa gente diga 
Esse camarada se androginou 
A moça deu bola a ele e ele nem ligou
Esse camarada se androginou 
A moça deu bola a ele e ele nem ligou”.



LIBERDADE O MAIOR DIREITO DA MULHER!

>O ódio é o inimigo comum…

In coisas do mundo, direitos, preconceito, vídeos on 03/02/2011 at 21:39

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Minha vida é um equívoco, cheia de equívocos

In aprendizado, coisas do mundo, cotidiano, direitos, pensamentos, política, preconceito on 27/05/2010 at 16:11
1- Equívoco: que pode ter mais de um sentido, de uma interpretação; ambíguo, que é difícil de classificar, que dá origem a julgamentos morais diferentes; dúbio, duvidoso, que desperta suspeita(s) que, embora apresente um único significante linguístico, pode ser entendido em dois ou mais sentidos diferentes (diz-se de um conceito propositalmente polissêmico no interior de uma determinada doutrina filosófica), efeito de equivocar-se; engano, erro, interpretação ambígua.
2– Equivocar: confundir(-se) a respeito de; ter impressão errônea de; cometer engano, errar; enganar(-se); ter aborrecimento; aborrecer-se, irritar-se.
3- Equivocado: que se equivocou, que cometeu um engano; errado
4- Equivocação: equívoco em ter ou considerar uma coisa por outra; engano.
5- Equivoquista: pessoa que comete equívocos ou que aprecia equívocos de linguagem.
Minha vida é um equívoco, cheia de equívocos.

A mulher quer tirar ou colocar a tal roupa?

In coisas do mundo, cultura, curiosidades, direitos, feminismo, mulher on 22/05/2010 at 00:59
Incongruência. O debate em torno da proibição do véu islâmico, a tal burca, estende-se por diversos países da Europa.
Na Bélgica, o Parlamento vota a lei que proíbe o uso do véu islâmico integral em locais públicos.
Na França, se o Parlamento aprovar, a burca e o niqab serão proibidos a partir do começo de 2011. Nesta França, as mulheres que usarem a vestimenta poderão ser multadas em 150 euros.  Na mesma França, os homens que obrigarem suas esposas a vestirem a burca podem pegar um ano de cadeia e ter de pagar uma multa de 15 mil euros.
Na Holanda, Geert Wilders, político populista de direita, pede uma proibição ainda mais forte contra o uso da burca e o prefeito social-democrata de Amsterdã, Job Cohen, já solicitou o cancelamento do auxílio-desemprego de mulheres que usam burca se elas recusarem um trabalho onde a vestimenta não seja permitida.
Na Itália, já existe desde 1975 uma regulamentação para a “proteção da ordem pública” em que a proibição de cobrir a cabeça em estabelecimentos públicos vale tanto para capacetes como para véus.
Na Austria, a proibição da burca também deve ser levada ao Parlamento pelo partido populista de direita BZÖ.
Na Dinamarca, o governo, formado por conservadores e liberais, não têm uma opinião uniforme, mas em janeiro anunciou “lutar” contra o uso da vestimenta.
No Reino Unido o tema não está em discussão. Apenas a extrema direita exige a proibição da burca.
No Conselho da Europa, Thomas Hammarberg, comissário de Direitos Humanos alerta que a proibição da burca aumentaria a tensão entre as comunidades religiosas.
Mas vejam só: segundo a UPI – União Parlamentar Internacional – a representação feminina nos parlamentos nacionais (unicamerais ou câmaras baixas) mundialmente é de apenas 17,7%.  Portanto, a maioria masculina, 82,3 %, que compõe o parlamento no mundo é quem decide a roupa que a mulher do Afeganistão deve usar na Europa. Assim como os homens do Afeganistão decidiram que as suas mulheres devem usar a burca em seu país.
O debate corre solto entre os homens, os parlamentares de extrema direita, de direita, entre os conservadores, sociais-democratas e liberais, entre religiões, alcorões e machões de dentro e de fora de seus países.
Sobraria a simples pergunta: Alguém perguntou se a mulher afegã quer colocar ou tirar a tal roupa?


Dados interessantes

DEPUTADAS
As mulheres ocupam apenas 17,9% das cadeiras parlamentares no mundo.
Na Suíça, esta proporção é de 28,5%, em Portugal, 28,3%.
No Brasil, 46 das 513 cadeiras na Câmara são ocupadas por mulheres.
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MINISTRAS
1.022 mulheres ocupam postos ministeriais em 185 países.
Na Suíça, três das quatro pastas do Conselho Federal (Executivo) são comandadas por mulheres.
Em Portugal, duas das 16 pastas.
No Brasil, elas só mandam em 3 dos 35 ministérios. 
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Vergonhosa é a situação do Brasil no ranking sobre a participação das mulheres nos Parlamentos em 192 países do mundo. A maior democracia da América do Sul ocupa o 146° lugar, tendo apenas 46 mulheres entre os seus 513 deputados federais – ou seja 9%.
Aqui o problema não é a roupa, será o direito ao aborto.
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A realização da democracia pressupõe uma verdadeira parceria entre homens e mulheres a boa conduta dos negócios públicos, de modo que ambos, homens e mulheres, ajam em condições de igualdade e complementaridade, na obtenção de um enriquecimento a partir de suas diferenças mútuas.Declaração Universal sobre Democracia, 1997, Princípio 4
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LINKS INTERESSANTE
União Parlamentar Internacional: Mapa das Mulheres na Política 2008 (PDF em espanhol)
Fonte swissinfo.ch e deustche welle