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Archive for the ‘mãe’ Category

E viva a Mamãe!

In fotos preferidas, homenagens, mãe on 13/05/2012 at 06:00

Chupar laranja e fazer arte

In comidinhas, Crônicas de Ada, criança, divertido, mãe on 18/01/2012 at 21:19
Minha mãe descascava laranjas para nós (meu irmão e eu) quando crianças, de uma forma que eu admirava pela técnica. Com a faca afiada ela conseguia cortar em espiral, sem quebrar nadica de nada da casca. A espiral parecia surgir como mágica. 


Depois, ela cortava uma “tampinha” da laranja por onde começava a comer. A parte mais gorda tem que apertar e chupar até extrair todo o suco e depois virar do avesso a casca para comer o bagaço.. tudo isso com bastante barulho.


Mas a casca virava brinquedo. O que eu gostava mesmo, nem era de chupar a fruta, mas de brincar com ela, fazer “arte”.  Minha imaginação era fértil, e achava legal fazer letras e imaginar bichos, e formas muito agradáveis ao meu sentir…


Eu nunca aprendi a cortar a laranja dessa forma, era como se essa parte da arte fosse exclusiva da mãe. Se tentar, acabo quebrando a casca, ou ela não sai tão simétrica. Corto em quatro pedaços e descolo a casca. 


Hoje, almocei na casa da mamãe e num “momento dengo” pedi que ela descascasse a laranja como fazia antigamente…o que ela fez toda feliz!


Acho que nunca quis aprender a sua técnica, exatamente esperando que esse momento se repetisse, momento que parece beijo, que parece abraço, carinho.. E olha que ela não perdeu a prática! 


Pôxa, fazia tempo que não chupava uma laranja tão gostosa, tão cheia de caldo! E principalmente, fazia essa arte…

Dona Nadir e a Catedral de Guarulhos

In coisas do Brasil, Crônicas de Ada, familia, indígenas, mãe, mulher on 17/01/2012 at 19:55
Mamãe Dona Nadir, no alto dos seus 80 anos (completa em março de 2012), ainda tem disposição para “bater perna” e topa passeios pelo centro da cidade, com muito gosto. Anda bem devagarinho, com medo de cair, que as pernas já estão cansadas, mas fica animada para entrar nas lojas, ver novidades e almoçar fora de casa. Nesse dia queria me levar no restaurante “Bom Prato” aquele por R$ 1,00 que fica ao lado da catedral (ver 
http://dicastops.com/bom-prato-enderecos-restaurantes-1-real-sp/ ) mas a fila estava grandinha e desistimos. 
Temos sido companheiras agora que estamos morando próximas. Mamãe ainda consegue tomar ônibus, e tal… e lembra minha avózinha que viveu 90 anos firme e forte. Será que chego lá? 


Foto de Ada
Foto de Ada
Ao fundo vê-se a Catedral de Guarulhos. A arquitetura no estilo barroco ainda pode ser identificada em meio à estrutura daquela que é considerada uma das primeiras igrejas do Brasil. Hoje denominada Catedral, a Paróquia Nossa Senhora da Conceição foi erguida como capela jesuíta, em meados de 1560. A única torre se impõe no cenário comercial da Rua Dom Pedro I.


De acordo com os pesquisadores Gasparino José Romão e João Ranali, autores do livro ‘Igreja Matriz de Guarulhos – Trezentos Anos’, a primeira capela foi construída em pau a pique e cipó e servia de núcleo ao aldeamento dos índios Guaianases. Já a segunda edificação, erguida em taipa de pilão, data de 1743, conforme registros do livro Tombo da Cúria Diocesana.  


Os índios encontrados pelos colonos europeus que primeiro transpuseram a serra de onde se avista o mar e se estabeleceram nos campos corridos pelo Tietê, são geralmente conhecidos pelo nome de Guaianases. A língua falada por eles não era o tupi-guarani.

José de Anchieta disse: “Os Mara mumis, ou Guarulhos (outros nomes dos Gaianazes) têm língua boa e fácil de aprender”, e passou o encargo da catequização ao seu confrade Manoel Viegas que fortemente se empenhou na missão: “andava atrás deles pelos matos, capões e praias todo em seu remédio; mas como estes Maramumis não se aquietam em seu lugar, e seu viver é sempre pelos matos à caça, ao mel e às frutas, dificultava isto muito a esperança de sua conversão. Ele contudo a todos resistia… e assim aos poucos foi domesticando, e fêz fazer assento em um lugar e aldeia em que até hoje habitam todos juntos; é a aldeia a que chamam Nossa Senhora da Conceição”. (Vida de João de Almeida, 74/76). A aldeia desapareceu; o nome de Guarulhos persiste e é bem conhecido. (ver mais historia em 
http://www.consciencia.org/os-guaianases-de-piratininga-capistrano-de-abreu)



Bem, essa parte da história é vergonhosa, sabemos. Foi avassalador o trabalho do Pe. Anchieta e seus asseclas, que se emprenharam em dizimar os indios para que Portugal dominasse nossas terras…

No arquivo histórico diz que a localização da paróquia dava visão do Rio Tietê, por onde chegavam mercadorias e os frequentadores da capela eram brancos, pois existia na mesma rua a Igreja N. S. do Rosário dos Homens Pretos demolida entre 1928 e 1930.


A construção atual é bastante contemporânea. De seu esqueleto antigo, em 1960 foram criados os dois largos corredores conhecidos hoje. Já o altar sofreu muitas alterações e, até mesmo chegou a ser locomovido para frente, voltando ao seu local original posteriormente. Várias das mudanças ocorridas na igreja também foram ocasionadas pelo comprometimento da estrutura, que oferecia riscos.

Preocupado com a conservação do prédio, e com a preservação histórica, o pároco da igreja, padre Antonio Bosco da Silva, planejava contratar serviços de raspagem em algumas estruturas, para que seja descoberta sua estrutura original. “descobrimos se tratar de uma peça muito antiga a pia de água benta, esculpida em pedra”, disse ele numa entrevista certa vez.


Uma polêmica surge em torno da história da imagem da santa que dá nome à Catedral Nossa Senhora da Conceição. Determinados documentos e registros dão conta de que a estátua é tão antiga quanto a paróquia. Em contrapartida, outros escritos informam que a imagem foi trazida a Guarulhos somente no século passado, em 1923.

Apesar do reconhecimento de sua antiguidade e da preservação de imagens, além da algumas composições arquitetônicas, a Catedral não foi tombada como patrimônio histórico municipal e tampouco nas esferas estadual e nacional e o motivo se deve às várias modificações ocorridas com as reformas pelas quais a igreja passou desde sua criação. Entre as alterações está a pintura de peças esculpidas em pedra e a retirada de estatuetas e ornamentos.


Foto de Ada

Ser Mãe, como é?

In coisas da vida, mãe, natureza, passarinho, vídeos, vida de bicho on 14/05/2011 at 20:57
Eu sei o que a mãe “passarinha” sentiu ao ver o ninho vazio depois de tanta dedicação e zelo… É nitida sua expressão de decepção. Fica de “bico aberto” quando deixa a larva cair, como que incrédula! Cadê meus filhotes? Pensa um pouco, olha por tudo, e se belisca para conferir se é realidade… Enfim, ser mãe é descobrir que os seus filhos são do mundo!



Clique na imagem:


>Mais um dia, e nem por isso me tornei melhor

In amor, coisas da vida, Crônicas de Ada, mãe on 01/05/2011 at 21:36

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A manhã chegou arrastando-se pesada, carregando sonhos e pesadelos que perambularam pela noite passada. Chegou carregando os gemidos de quem não dormiu, com alguma dor, carregando choros dos recém-nascidos que serão abandonados nas lixeiras, e lamento das carpideiras que nem sei se existem fora das histórias que contam do sertão. Trouxe grunhidos de bicho longe, da mata. E das ruas da cidade, asfaltos trepidantes trincando aos nossos pés.

Mais um dia, e nem por isso me tornei melhor.
Essa manhã, assim pesada, me diz todos os meus defeitos e maldades. E a manhã é ainda mais pesada porque carrega o meu cansaço e incerteza. Mãe, não é você a culpada da minha melancolia. Do meu jeito de ser arisco. Da minha indelicadeza. A minha ignorância é compatível com a evolução do mundo. Somos assim. Bons e maus, cada um a seu tempo. Peço desculpas por ser rude. Na verdade os defeitos que aponto nos outros, são os meus. A gente quer se livrar de si, julgando.
Os sentimentos que entendemos são apenas os nossos. Cada um compreende o amor ou o ódio conforme o sente e vê. O que sei é o que sinto, impossível saber como o outro sente, apenas imagino, interpreto.
Mãe, desculpa por te fazer chorar no dia do seu aniversário. Você é tão forte e teimosa que a gente não lembra que tem 80 anos! Ainda bem! Terei tempo de me redimir?