Um dia ele achou que já era hora. Começou os trabalhos de refazer o mundo juntando toda a ente-ambir que existia e dividindo em dois grupos: os de cá e os de lá. Aos de cá mandou fazer uma casona para ser o baito e ensinou ali mesmo como é que se contruia. Quando estava rponta, Maíra entrou lá, sentou-se no chão e foi dando aquelas pancadinhas pra fazer surgir a pica de Deus-Pai. Quando ela subia, ali na frente, bem dura, ele cortava pelo nó de um só golpe, agarrava e pregava entre as pernas dos que estavam ao redor. Acabado o serviço, todos já eram homens com seus rancuãis e saíram para foder com as mulheres, lá fora, pelo páteo, onde quisessem. Foi aquela festa de sururucação.
Maíra, Darcy Ribeiro – 1976 – Pág 144
Da edição Circulo do Livro
Darcy Ribeiro realizou esta obra em plena maturidade criativa. Começou a escrevê-la no exílio, através de lembranças de sua trajetória no meio dos indígenas, em companhia, inicialmente do general Cândido Rondon, depois como etnólogo, convivendo por muito tempo com várias etnias. Seu romance é narrado em quatro movimentos: Antífona, Homilia, Cânon e Corpus.
Há um rio, provavelmente o verdadeiro Iparanã, única via de acesso de uma erma região da Amazônia, no Estado do Mato Grosso, à margem do qual, em certo trecho, vivem os Mairuns.