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Archive for the ‘mulher’ Category

80 anos de Nadir

In aniversário, homenagens, mulher on 22/03/2012 at 14:39

Mamãe Nadir completa hoje 80 anos de vida. Não é para
qualquer um viver tanto assim,
 a não ser
por sua mãe, minha avó Augusta Fernandes, que viveu 95 anos [jan/1901 – mar/1996], bem como a mulherada da familia, ainda mais com tantas
dificuldades que passou na vida.

Teve dez  irmãos e, hoje, restaram apenas as mulheres. As
espanholas firmes e fortes, Mercedes (87 anos), Elite (84 anos) e Nilde (78
anos) aliás também hoje [feliz aniversário tia!] resistem aos tempos. Os homens
se foram muito cedo.
Mamãe é do tempo e do lugar em que as
meninas brincavam com espigas de milho como bonecas, no interior de São Paulo, em Mirassol, onde meus bisavós, imigrantes espanhóis vindos em navios pelos idos de 1900, se instalaram nas plantações cafeeiras e depois, em Curitiba. Sua adolescência foi
marcada pelo assassinato de seu pai, por desentendimentos comerciais, imagino o
sofrimento de minha família à época. Todos tiveram que trabalhar logo cedo para
sobreviverem e acudirem minha avó que, sozinha, terminou de criar os dez.  O mais novo, Roberto, com três anos, ainda mamava no peito quando isso ocorreu.
Tem muita opinião, essa minha mãe.
Uma guerreira, independente, brava, tem duas “ativas” castanholas, uma em cada mão, teimosa, autônoma em todas as decisões,
sempre teve força de vontade e trabalhou muito! Sofreu muito também,
infelizmente tenho que dizer,  em seu
casamento com meu pai, ele tinha o vício da bebida e causou  sofrimento para todos nós, em boa parte de
nossas vidas.
Mas não vou remoer o passado nesse
dia de festa,  alegria e comemorações. Mãe, leia
os livros que desejava e que te dei de presente [Sidney Sheldon e Ágatha Cristie],
para treinar a memória. Hoje à noite ganhas um bolo e um abraço.

Desejo a você, mamãe, que viva muitos
anos mais, e que possamos comemorar sempre.

8 de março e nós, mulheres necessárias

In homenagens, mulher, vídeos on 08/03/2012 at 21:06
Todo ano a gente vive o 8 de março. Às vezes somos lembradas com mais ênfase, outras não. Mulheres nas ruas com rosa na mão… algumas sofrendo violências em seus lares. Outras com bandeiras! Essas sim, são imprescindíveis no processo de conquistas que vamos galgando tão lentamente. Não faz muito, nem podíamos votar. Tantas deram suas vidas pelos nossos ideais. Tantas escrevem poesias e coisas lindas, desenham, pintam, amam, cantam e encantam. Mas de tudo, o que importa é lutar pela liberdade. Como dizia Simone de Bouvoir: “Enquanto o homem e a mulher não se reconhecerem como semelhantes, enquanto não se respeitarem como pessoas em que, do ponto de vista social, política e econômico, não há a menor diferença, os seres humanos estarão condenados a não verem o que têm de melhor: a sua liberdade.” (Simone de Beauvoir)

Aqui, a minha homenagem às mulheres imprescindíveis que conheci… e a todas as outras que me esqueci.


Dona Nadir e a Catedral de Guarulhos

In coisas do Brasil, Crônicas de Ada, familia, indígenas, mãe, mulher on 17/01/2012 at 19:55
Mamãe Dona Nadir, no alto dos seus 80 anos (completa em março de 2012), ainda tem disposição para “bater perna” e topa passeios pelo centro da cidade, com muito gosto. Anda bem devagarinho, com medo de cair, que as pernas já estão cansadas, mas fica animada para entrar nas lojas, ver novidades e almoçar fora de casa. Nesse dia queria me levar no restaurante “Bom Prato” aquele por R$ 1,00 que fica ao lado da catedral (ver 
http://dicastops.com/bom-prato-enderecos-restaurantes-1-real-sp/ ) mas a fila estava grandinha e desistimos. 
Temos sido companheiras agora que estamos morando próximas. Mamãe ainda consegue tomar ônibus, e tal… e lembra minha avózinha que viveu 90 anos firme e forte. Será que chego lá? 


Foto de Ada
Foto de Ada
Ao fundo vê-se a Catedral de Guarulhos. A arquitetura no estilo barroco ainda pode ser identificada em meio à estrutura daquela que é considerada uma das primeiras igrejas do Brasil. Hoje denominada Catedral, a Paróquia Nossa Senhora da Conceição foi erguida como capela jesuíta, em meados de 1560. A única torre se impõe no cenário comercial da Rua Dom Pedro I.


De acordo com os pesquisadores Gasparino José Romão e João Ranali, autores do livro ‘Igreja Matriz de Guarulhos – Trezentos Anos’, a primeira capela foi construída em pau a pique e cipó e servia de núcleo ao aldeamento dos índios Guaianases. Já a segunda edificação, erguida em taipa de pilão, data de 1743, conforme registros do livro Tombo da Cúria Diocesana.  


Os índios encontrados pelos colonos europeus que primeiro transpuseram a serra de onde se avista o mar e se estabeleceram nos campos corridos pelo Tietê, são geralmente conhecidos pelo nome de Guaianases. A língua falada por eles não era o tupi-guarani.

José de Anchieta disse: “Os Mara mumis, ou Guarulhos (outros nomes dos Gaianazes) têm língua boa e fácil de aprender”, e passou o encargo da catequização ao seu confrade Manoel Viegas que fortemente se empenhou na missão: “andava atrás deles pelos matos, capões e praias todo em seu remédio; mas como estes Maramumis não se aquietam em seu lugar, e seu viver é sempre pelos matos à caça, ao mel e às frutas, dificultava isto muito a esperança de sua conversão. Ele contudo a todos resistia… e assim aos poucos foi domesticando, e fêz fazer assento em um lugar e aldeia em que até hoje habitam todos juntos; é a aldeia a que chamam Nossa Senhora da Conceição”. (Vida de João de Almeida, 74/76). A aldeia desapareceu; o nome de Guarulhos persiste e é bem conhecido. (ver mais historia em 
http://www.consciencia.org/os-guaianases-de-piratininga-capistrano-de-abreu)



Bem, essa parte da história é vergonhosa, sabemos. Foi avassalador o trabalho do Pe. Anchieta e seus asseclas, que se emprenharam em dizimar os indios para que Portugal dominasse nossas terras…

No arquivo histórico diz que a localização da paróquia dava visão do Rio Tietê, por onde chegavam mercadorias e os frequentadores da capela eram brancos, pois existia na mesma rua a Igreja N. S. do Rosário dos Homens Pretos demolida entre 1928 e 1930.


A construção atual é bastante contemporânea. De seu esqueleto antigo, em 1960 foram criados os dois largos corredores conhecidos hoje. Já o altar sofreu muitas alterações e, até mesmo chegou a ser locomovido para frente, voltando ao seu local original posteriormente. Várias das mudanças ocorridas na igreja também foram ocasionadas pelo comprometimento da estrutura, que oferecia riscos.

Preocupado com a conservação do prédio, e com a preservação histórica, o pároco da igreja, padre Antonio Bosco da Silva, planejava contratar serviços de raspagem em algumas estruturas, para que seja descoberta sua estrutura original. “descobrimos se tratar de uma peça muito antiga a pia de água benta, esculpida em pedra”, disse ele numa entrevista certa vez.


Uma polêmica surge em torno da história da imagem da santa que dá nome à Catedral Nossa Senhora da Conceição. Determinados documentos e registros dão conta de que a estátua é tão antiga quanto a paróquia. Em contrapartida, outros escritos informam que a imagem foi trazida a Guarulhos somente no século passado, em 1923.

Apesar do reconhecimento de sua antiguidade e da preservação de imagens, além da algumas composições arquitetônicas, a Catedral não foi tombada como patrimônio histórico municipal e tampouco nas esferas estadual e nacional e o motivo se deve às várias modificações ocorridas com as reformas pelas quais a igreja passou desde sua criação. Entre as alterações está a pintura de peças esculpidas em pedra e a retirada de estatuetas e ornamentos.


Foto de Ada

Rosa Luxemburg: Uma carta da prisão a Sonia Liebknecht

In cartas, coisas do mundo, comunismo, mulher, política, Rosa Luxemburg on 22/05/2011 at 22:30

Breslau, Polônia, antes de 24 de dezembro de 1917.


“Ah! Sonitchka, passei aqui por uma dor violenta. No pátio onde passeio chegam muitas vezes carroças do exército, abarrotadas de sacos ou túnicas velhas e camisas de soldados, muitas vezes manchadas de sangue…; são descarregadas, distribuídas pelas celas, consertadas, novamente postas nas carroças para serem entregues ao exército. 


Outro dia, chegou uma dessas carroças, puxada não por cavalos, mas por búfalos. Era a primeira vez que via esses animais de perto. São mais fortes e maiores que os nossos bois, têm a cabeça chata, chifres curvos e baixos, e uma cabeça totalmente negra, de grandes olhos meigos, que lembra a dos nossos carneiros. Vêm da Romênia, são um troféu de guerra… os soldados que conduziam a carroça diziam ser muito difícil capturar esses animais selvagens, e ainda mais difícil utilizá-los para carregar fardos, pois estavam acostumados à liberdade. 


Foram terrivelmente maltratados até compreenderem que perderam a guerra e que também para eles vale a expressão “vae victis” [ai dos vencidos]… Só em Breslau deve haver uma centena desses animais; acostumados que estavam às ricas pastagens da Romênia recebem ali uma ração parca, miserável. Trabalham sem descanso puxando todo tipo de carga e com isso não demoram a morrer. 


Há alguns dias então uma dessas carroças cheia de sacos entrou no pátio. A carga era tão alta que os búfalos não conseguiam transpor a soleira do portão. O soldado que os acompanhava, um tipo brutal, pôs-se a bater-lhes de tal maneira com o grosso cabo do chicote que a vigia da prisão, indignada, perguntou-lhe se não tinha pena dos animais. “Ninguém tem pena de nós, homens”, respondeu com um sorriso mau e pôs-se a bater ainda com mais força… Os animais deram finalmente um puxão e conseguiram transpor o obstáculo, mas um deles sangrava… 


Sonitchka, a pele do búfalo é proverbialmente espessa e resistente, e ela foi dilacerada. Durante o descarregamento, os animais permaneciam imóveis, esgotados, e um deles, o que sangrava, olhava em frente e tinha, na cara escura e nos olhos negros e meigos, uma expressão de uma criança em prantos. Era exatamente a expressão de uma criança que foi severamente punida e que não sabe por qual motivo, por que, não sabe como escapar ao sofrimento e a essa força brutal… 


eu estava diante dele, o animal me olhava, as lágrimas saltaram-me dos olhos – eram as suas lágrimas. Ninguém pode sofrer mais por um irmão querido do que eu sofri na minha impotência com essa dor silenciosa. Como estavam longe, perdidas, inacessíveis, as pastagens da Romênia, essas pastagens verdes suculentas e livres! Como tudo lá era diferente, o brilho do Sol, o sopro do vento, como eram diferentes os belos cantos dos pássaros ou o melodioso chamado do pastor. 


E aqui – esta cidade estrangeira, horrível, o estábulo sombrio, o feno mofado, repugnante, misturado com a palha apodrecida, os homens desconhecidos, assustadores, e – as pancadas, o sangue que corre da ferida aberta… Oh! meu pobre búfalo, meu pobre irmão querido, aqui estamos os dois tão impotentes e mudos, mas somos só um na dor, na impotência, na saudade. 


Entretanto os prisioneiros agitavam-se em volta do carro, descarregavam os pesados sacos e arrastavam-nos para dentro; já o soldado enfiara as mãos nos bolsos das calças e percorrendo o pátio com grandes passos, ria e assobiava baixinho uma canção da moda. 


Diante de mim a guerra desfilava em todo o seu esplendor.
Escreva logo.
Abraços, Sonitchka,
Sua R


Sonitchka, querida, fique calma e alegre apesar de tudo. Assim é a vida. É preciso tomá-la corajosamente, sem medo, sorrindo – apesar de tudo. Feliz Natal!”

Rosa de Luxemburg ou o preço da liberdade
Jörn Schütrumpf (org.)
Editora Expressão Popular – 1ª edição
São Paulo – 2006 
Tradução: Isabel Maria Loureiro


Rosa Luxemburg, em polaco Róża Luksemburg – nasceu em Zamość, 5 de março de 1871 e morreu em Berlim, 15 de janeiro de 1919, com 48 anos, assassinada pelo exército alemão. Foi uma filósofa marxista e militante revolucionária polaca-alemã que ajudou a fundar o Partido Comunista da Alemanha (KPD). Dentre as barbaridades cometidas pelo homem, está o assassinato de Rosa Luxemburg.


Humorista Rafinha Bastos insulta as mulheres

In coisas do Brasil, feminismo, mulher, preconceito on 17/05/2011 at 18:30

Só tenho a lamentar…

“A Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República do Brasil (SPM) vem a público manifestar sua indignação pela maneira como o “humorista” Rafinha Bastos, da TV Bandeirantes, faz piadas com os temas estupro, aborto, doenças e deficiência física. 

Segundo a edição desse mês da Revista Rolling Stone, durante seus shows de stand up, em São Paulo, ele insulta as mulheres ao contar anedotas sobre violência contra as mulheres.

“Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho. Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso [estupro] não merece cadeia, merece um abraço”. 

Isso não é humor, é agressão gratuita, sem graça, dita como piada. É lamentável que uma pessoa – considerada pelo jornal The New York Times como a mais influente do mundo no twitter -, expresse posições tão irresponsáveis e preconceituosas. Estupro é crime hediondo e não requer, em nenhuma hipótese, abordagem jocosa e banalizada.

Vale lembrar que qualquer mulher forçada a atos sexuais, por meio de violência física ou ameaça, tem seus direitos violados. Não há diferenciação entre as vítimas e, tampouco, a gravidade e os danos deste crime diminuem de acordo com quaisquer circunstâncias da agressão. Assim, a SPM condena a banalização de tais preconceitos e, como organismo que visa, sobretudo, enfrentar a desigualdade para promover a igualdade entre os gêneros, a Secretaria repudia esse tipo de “humor” e qualquer forma de violação dos direitos das mulheres. Humor inteligente e transgressor não se faz com insultos e nem preconceitos. A sociedade não quer voltar à era da intolerância e, sim, dar um passo adiante.”


>A música “Bola Dividida” admite a violência contra a mulher

In Crônicas de Ada, direitos, feminismo, liberdade, mulher, opinião, preconceito on 15/02/2011 at 18:43

>

Todos os dias vemos no noticiário as mortes anunciadas. São mulheres que sofrem violência de seus companheiros e, apesar de algumas terem coragem de denunciar, ficam sem qualquer proteção ou assistência dos órgãos responsáveis. Não aceitam uma “insubmissão”.

Acabam sendo mortas sem direito à defesa. E a causa é quase sempre a mesma: crime passional.


Isso vem de tão longe! A sociedade assimila que certas coisas são “normais”. Acatam o comportamento imposto pela dominação masculina. Você já ouviu a frase: “se ela apanhou, é porque fez alguma coisa”? Ou,” Dê uma surra diária na sua mulher, você não sabe porque está batendo mas ela sabe porque está apanhando” e ”Toda mulher gosta de apanhar. Só as neuróticas reagem (Nelson Rodrigues (1912/1980) considerado um grande dramaturgo. Daria para listar uma série de frases, inclusive repetidas pelas próprias mulheres.

A minha mais recente indignação, é com o Zeca Baleiro. Ele regravou um samba de 1969 chamado “Bola Dividida” e que é composição de Luiz Ayrão no LP “Meus Momentos”. Ouço no rádio todos os dias e me inflo de indignação!

Bom, há 42 anos, a letra da composição passou batida entre as mulheres? Tá bem, mas hoje acho que não deve passar batido não! Não temos muitos mecanismos de protesto e defesa de nossos direitos de liberdade e indignação contra a violência à mulher. Mas eu aqui, estou registrando a minha:

Zeca Baleiro! Você pisou na bola, junto com Luiz Ayrão, e perpetua, através dos tempos, que a violência contra a mulher é admissível!

Tire você mesma a conclusão!

Bola Dividida
Composição Luiz Ayrão (1969)
Regravada por Zeca Baleiro (2010)

“Será que essa gente percebeu que essa morena desse amigo meu
Tá me dando bola tão descontraída
Só que eu não vou em bola dividida
Pois se eu ganho a moça eu tenho o meu castigo
Se ela faz com ele vai fazer comigo
Se eu ganho a moça eu tenho o meu castigo
Se ela faz com ele vai fazer comigo 
E vai fazer comigo exatamente igual
Ela é uma morena sensacional
Digna de um crime passional
E eu não quero ser manchete de jornal
Será que essa gente percebeu que essa morena desse amigo meu
Tá me dando bola tão descontraída
Só que eu não quero que essa gente diga 
Esse camarada se androginou 
A moça deu bola a ele e ele nem ligou
Esse camarada se androginou 
A moça deu bola a ele e ele nem ligou”.



LIBERDADE O MAIOR DIREITO DA MULHER!

1° pronunciamento de Dilma Roussef

In coisas do Brasil, eleições, feminismo, mulher, política on 31/10/2010 at 22:46
Para ficar guardado. Para ficar na historia. Aqui fica o 1° discurso de nossa 1ª presidenta do Brasil. Um belíssimo discurso!

“Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,

É imensa a minha alegria de estar aqui.
Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida.

Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. 

Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.

A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!

Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:

Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.

Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.

Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.

Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão 
claramente consagrados em nossa constituição.

Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.

Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões.

O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família.

É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.

Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.

Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte.

A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.

O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro.

Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.

Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada.

No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.

Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o país ao mundo. Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.

Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.

É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.

Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.

Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos.

Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.
Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela poupança pública.

Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público.

Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo.

Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.

As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.

Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental. Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.

Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.

Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar muitos de nossos objetivos sociais.

Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.

O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.

Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas.

Me comprometi nesta campanha com a qualificação da Educação e dos Serviços de Saúde.

Me comprometi também com a melhoria da segurança pública.

Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.

Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de primeira qualidade para realizar esses objetivos.

Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o desenvolvimento de nosso povo.

A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo acesso a educação e saúde de qualidade.

É aquela que convive com o meio ambiente sem agredi-lo e sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.

Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao país, mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei de forma dedicada e carinhosa.

Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.

Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental.

Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.

Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.
A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.

Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. 
Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.
Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.

Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los. Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu país no seu mais alto posto. Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares que passei.
Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia.

Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho.

Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.

Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.

Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras. As criticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.

Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.

Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós.

Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta.

Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado.

Saberei consolidar e avançar sua obra.

Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo.

Uma força que leva o país para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.
Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de projetos agora é hora de união.

União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país. Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores. Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária, para uma ação determinada pelo futuro de nosso país.

Sempre com a convicção de que a Nação Brasileira será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.

Muito obrigada,”

Dilma Roussef

Presidenta do Brasil

Brasil, 31 de outubro de 2010
VEJA O VIDEO AQUI

Mulheres conquistando igualdade

In feminismo, mulher, política, preconceito, vídeos on 31/10/2010 at 22:12

http://storage.mais.uol.com.br/embed.swf?mediaId=7255848

A mulher quer tirar ou colocar a tal roupa?

In coisas do mundo, cultura, curiosidades, direitos, feminismo, mulher on 22/05/2010 at 00:59
Incongruência. O debate em torno da proibição do véu islâmico, a tal burca, estende-se por diversos países da Europa.
Na Bélgica, o Parlamento vota a lei que proíbe o uso do véu islâmico integral em locais públicos.
Na França, se o Parlamento aprovar, a burca e o niqab serão proibidos a partir do começo de 2011. Nesta França, as mulheres que usarem a vestimenta poderão ser multadas em 150 euros.  Na mesma França, os homens que obrigarem suas esposas a vestirem a burca podem pegar um ano de cadeia e ter de pagar uma multa de 15 mil euros.
Na Holanda, Geert Wilders, político populista de direita, pede uma proibição ainda mais forte contra o uso da burca e o prefeito social-democrata de Amsterdã, Job Cohen, já solicitou o cancelamento do auxílio-desemprego de mulheres que usam burca se elas recusarem um trabalho onde a vestimenta não seja permitida.
Na Itália, já existe desde 1975 uma regulamentação para a “proteção da ordem pública” em que a proibição de cobrir a cabeça em estabelecimentos públicos vale tanto para capacetes como para véus.
Na Austria, a proibição da burca também deve ser levada ao Parlamento pelo partido populista de direita BZÖ.
Na Dinamarca, o governo, formado por conservadores e liberais, não têm uma opinião uniforme, mas em janeiro anunciou “lutar” contra o uso da vestimenta.
No Reino Unido o tema não está em discussão. Apenas a extrema direita exige a proibição da burca.
No Conselho da Europa, Thomas Hammarberg, comissário de Direitos Humanos alerta que a proibição da burca aumentaria a tensão entre as comunidades religiosas.
Mas vejam só: segundo a UPI – União Parlamentar Internacional – a representação feminina nos parlamentos nacionais (unicamerais ou câmaras baixas) mundialmente é de apenas 17,7%.  Portanto, a maioria masculina, 82,3 %, que compõe o parlamento no mundo é quem decide a roupa que a mulher do Afeganistão deve usar na Europa. Assim como os homens do Afeganistão decidiram que as suas mulheres devem usar a burca em seu país.
O debate corre solto entre os homens, os parlamentares de extrema direita, de direita, entre os conservadores, sociais-democratas e liberais, entre religiões, alcorões e machões de dentro e de fora de seus países.
Sobraria a simples pergunta: Alguém perguntou se a mulher afegã quer colocar ou tirar a tal roupa?


Dados interessantes

DEPUTADAS
As mulheres ocupam apenas 17,9% das cadeiras parlamentares no mundo.
Na Suíça, esta proporção é de 28,5%, em Portugal, 28,3%.
No Brasil, 46 das 513 cadeiras na Câmara são ocupadas por mulheres.
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MINISTRAS
1.022 mulheres ocupam postos ministeriais em 185 países.
Na Suíça, três das quatro pastas do Conselho Federal (Executivo) são comandadas por mulheres.
Em Portugal, duas das 16 pastas.
No Brasil, elas só mandam em 3 dos 35 ministérios. 
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Vergonhosa é a situação do Brasil no ranking sobre a participação das mulheres nos Parlamentos em 192 países do mundo. A maior democracia da América do Sul ocupa o 146° lugar, tendo apenas 46 mulheres entre os seus 513 deputados federais – ou seja 9%.
Aqui o problema não é a roupa, será o direito ao aborto.
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A realização da democracia pressupõe uma verdadeira parceria entre homens e mulheres a boa conduta dos negócios públicos, de modo que ambos, homens e mulheres, ajam em condições de igualdade e complementaridade, na obtenção de um enriquecimento a partir de suas diferenças mútuas.Declaração Universal sobre Democracia, 1997, Princípio 4
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LINKS INTERESSANTE
União Parlamentar Internacional: Mapa das Mulheres na Política 2008 (PDF em espanhol)
Fonte swissinfo.ch e deustche welle

Última carta de Olga Benário Prestes

In cartas, comunismo, feminismo, filmes, homenagens, mulher, musica, Olga Prestes, política on 03/03/2008 at 15:22
Última carta de Olga Benário, escrita às vesperas de sua execução na câmara de gás, na Alemanha de Hitler, para Anita e Carlos Prestes.


(ouça o Tema de Olga)
tocado no filme “Olga” de Jayme Monjardim


“Queridos: Amanhã vou precisar de toda a minha força e de toda a minha vontade. Por isso, não posso pensar nas coisas que me torturam o coração, que são mais caras que a minha própria vida. E por isso me despeço de vocês agora. 


É totalmente impossível para mim imaginar, filha querida, que não voltarei a ver-te, que nunca mais voltarei a estreitar-te em meus braços ansiosos. Quisera poder pentear-te, fazer-te as tranças – ah, não, elas foram cortadas. Mas te fica melhor o cabelo solto, um pouco desalinhado. Antes de tudo, vou fazer-te forte. Deves andar de sandálias ou descalça, correr ao ar livre comigo. Sua avó, em princípio, não estará muito de acordo com isso, mas logo nos entenderemos muito bem. Deves respeitá-la e querê-la por toda a tua vida, como o teu pai e eu fazemos. Todas as manhãs faremos ginástica… Vês? Já volto a sonhar, como tantas noites, e esqueço que esta é a minha despedida. E agora, quando penso nisto de novo, a idéia de que nunca mais poderei estreitar teu corpinho cálido é para mim como a morte. 


Carlos, querido, amado meu: terei que renunciar para sempre a tudo de bom que me destes? Conformar-me-ia, mesmo se não pudesse ter-te muito próximo, que teus olhos mais uma vez me olhassem. E queria ver teu sorriso. Quero-os a ambos, tanto, tanto. E estou tão agradecida à vida, por ela haver me dado a ambos. 


Mas o que eu gostaria era de poder viver um dia feliz, os três juntos, como milhares de vezes imaginei. Será possível que nunca verei o quanto orgulhoso e feliz te sentes por nossa filha? Querida Anita, Meu querido marido, meu garoto: choro debaixo das mantas para que ninguém me ouça pois parece que hoje as forças não conseguem alcançar-me para suportar algo tão terrível. 


É precisamente por isso que me esforço para despedir-me de vocês agora, para não ter que fazê-lo nas últimas e difíceis horas. Depois desta noite, quero viver para este futuro tão breve que me resta. De ti aprendi, querido, o quanto significa a força de vontade, especialmente se emana de fontes como as nossas. Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão porque se envergonhar de mim. 


Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue. Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas… Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. 


Beijos pela última vez. Olga”


(Ouça a personagem de Olga lendo a carta no filme, é Camila Morgado)